31 maio 2006

Alameda no Oceano Atlântico



Por uma vela, primeiro imaginada
Depois sentida

Vejo os dias do Atlântico
Descubro o azul em muitos azuis

Regresso ao cimo do tempo
Imaginando o vento que há.

(avanço para outra Alameda, parece-me bem acabar esta no último dia de Maio, agora que também mudaram os lugares e já não há Tejo, só Atlântico)

18 maio 2006

Morte pela Aventura


Hans Horrevoets (holandês, 32 anos) morreu esta madrugada, caido do veleiro ABN Amro TWO, da Volvo Ocean Race.

O mar não perdoa, e cobra de quando em vez a ousadia de quem o afronta.

08 maio 2006

Behold, I tell you a mystery; we shall not all sleep, but we shall all be changed in a moment, in the twinkling of an eye, at the last trumpet.



Tinhas uma gravata, um casaco azul escuro com um emblema da escola, uns calções, e tinhas só seis anos. Dançavas com a R. já passava da meia-noite. Eu olhava para ti e dançava também e alguém dizia que éramos iguais.

Falavas das coisas importantes, do céu, das estrelas e das laranjas com que eu tentava explicar-te a rotação dos mundos. Ficavas ao meu colo a olhar os meus olhos brilhantes que falavam com os teus olhos brilhantes, e assim consumimos uns anos, entre legos e conversas a ouvir a trovoada.

Descansa que ninguém ocupa o teu lugar, nem mesmo agora que o teu retrato está desactualizado à face do mundo e um dia ficará debotado, como as camisas que usas agora. No teu quarto está a única fotografia que importa: quando a angústia da ausência anunciada me atirou contigo pela mão para os Jerónimos, para ouvirmos juntos o Messias, como se a divindade da música prometesse sair da terra e trazer a revelação para os últimos momentos: Hallelujah!

Depois apanhei um avião (pai, posso ir contigo?).

07 maio 2006

Boat People


Volvo Ocean Race: Leg 6 - Annapolis to New York (ETA: 9 Maio)

04 maio 2006

03 maio 2006

Rue de La Loi


Escrevo-lhe, caro Gerard, para lhe dizer que do meu novo escritório se vê também a Avenue des Arts, onde o meu amigo rasga todos os dias novos horizontes para esta Europa, que tão difícil se nos apresenta. Tenho á minha frente os volumosos dossiers habituais, sem os quais o grupo de trabalho de que fazemos parte jamais veria cumprida a missão de velar pela segurança dos despreocupados cidadãos da nossa Europa.

Madame le Coq vela pelo nosso conforto, trazendo-me chá des etoiles pelas 15h da tarde, quando a minha leitura do Le Soir está no auge. Sabia, Gerard, que a legislação que preparo sobre os tsunamis está praticamente concluida? Sim , digo-o com orgulho, a partir de muito em breve será possível viver em segurança na europa, porque será obrigatório os países com orla marítima erguer uma rede de 11 metros de altura (foi Harriet van Huisman quem fez, os cálculos, pode o meu amigo descansar!), a uma distância nunca inferior a 19 milhas nem superior a 26 (sinto o seu orgulho na precisão dos nossos cálculos, perdoe-me a sinceridade). Como o meu caro perceberá é também a questão dos imigrantes (que lhe é tão cara) que se defende também, a perspicácia do meu amigo nesta questão foi fulcral!

Assim, sem imigrantes nem ondas poderemos finalmente ir em breve descansados até Ostende, sem risco de sermos abordados por desagradáveis magrebinos ou mesmo portugueses oriundos do Canadá. A colega holandesa não evitou um esgar de inveja quando lhe apresentei o projecto de decreto comunitário.

Receba, caro Gerard, a expressão dos meus sentimentos mais distintos,

Pascal deBrueck,

1º secretário da secção 12 da DGXXVIII