28 fevereiro 2009

Ágape (en)contra Eros


O Apóstolo Paulo descreve o amor como segue: "O amor (ágape) é paciente, o amor é amável. Sem inveja, ele não tem ostentação, ele não é orgulhoso. Não é rude, ele não é interessado, ele não se irrita facilmente, ele não mantém nenhum registo dos erros. O amor não se deleita com o mal mas rejubila com a verdade. Protege sempre, confia sempre, sempre tem esperança, sempre persevera. O amor nunca falha.” (I Coríntios, 13, 4:8).


Os filósofos gregos nos tempos de Platão e outros autores antigos usaram o termo (ágape) para denotar o amor a um esposo ou a uma família, ou a afeição para uma atividade particular, em contraste com philia, uma afeição que poderia ser encontrada entre irmãos ou a afeição assexuada, e eros, uma afeição de natureza sexual.


(wikipedia)

26 fevereiro 2009

Wonder Barack


Não têm a mesma cara de caso sério dos políticos portugueses, a mesma amargura, o mesmo fel, a mesma ideia furiosa de ganhos políticos diminuindo adversários.

Gostam de música e não fingem só gostar de se "preocupar" com o bem estar do pobre povo pobre.

Ataque contra a fraqueza triste feita força.

25 fevereiro 2009

Vive no receio da queda


Mas " o receio clínico da queda é o receio de uma queda que já se experimentou e há momentos em que o paciente sente a necessidade de lhe dizerem que a queda, que ele tanto teme e que lhe mina a vida, já se verificou".

O mesmo se passa, parece, com a angústia do amor. Era preciso que alguém me pudesse dizer:
"não esteja angustiado, você já a perdeu".


Barthes, "Fragmentos de um Discurso Amoroso"

24 fevereiro 2009

Como a horripilante época do carnaval revelou, decerto num acaso, ou impulso, algumas bloggers famosas

Foi o caso da Mátria Minha, que sabe tudo o que as mulheres querem e igualmente tudo sobre o que nós somos. Ei-la nesta quadra, a ver os outros a comer pipocas e a preparar (mais) um post demolidor:


Ou ainda da Menina bem comportada, que arrebata a imaginação feminina com as fotos de rapazes amigos, que provam que só há gajos bons, pondo o resto do mundo masculino em desespero nos ginásios, clínicas, e esborratando a cara com cremes. Em posts de inicio de quadra carnavalesca, e que apareceu assim, saída de uma festa "carnival free":




















Também vi a blogger do Criativemo-nos, muito cansada e criativa com auriculares para não ouvir brasileiradas de carnaval, e que também gosta de falar da malta. Oh pra ela aqui com os seus dois pets:


A blogger do Há Vida em Marta, apareceu mais tarde, vê-se que não vai em carnavais:



Como se sabe a blogomalta feminina é assim. Ou somos nós que as vemos assim, o que é quase igual !




19 fevereiro 2009

Downhearted

- E agora? Não escreves nada?
- Estou a tentar
- Como é que isso se faz?
- Não sei, acho que aparece
- Mas sentes alguma coisa?
- Não, não sinto nada, começa, pronto, sei lá
- Mas não vejo nada a aparecer, escusavas de ...
- Larga-me
- ... escusavas de tentar encantar, é para isso que estás a olhar?
- Talvez, ela é, não sei, faz parte do acordar
- Importas-te de explicar isso? É que assim ninguém lê, caraças.
- Bem, é que eu acordava e pensava logo: estou bem com ela ou estamos zangados?
- Todos os dias?
- Pois, todos ...
- E agora? ainda é assim?
- Agora? Não, é pior.

....

- E tens sempre de pôr títulos em inglês?
- É pudor, não se pode falar de amores assim de qualquer maneira, é obsceno
- Tás parvo? Onde é que foste arranjar essa ideia?
- Foi o Barthes
- Quem é esse gajo?

In the wee small ours of the morning

18 fevereiro 2009

Poema romeno (para os andam sempre a criticar os posts em inglês)



Lucian Blaga
Noi şi pământul

Atâtea stele cad în noaptea asta.
Demonul nopţii ţine parcă-n mâni pământul
şi suflă peste-o iască
năprasnic să-l aprindă.
În noaptea asta-n care cad
atâtea stele, tânărul său trup
de vrăjitoare-mi arde-n braţe
ca-n flăcările unui rug.
Nebun,
ca nişte limbi de foc eu braţele-mi întind,
ca să-ţi topesc zăpada umerilor goi,
şi ca să-ţi sorb, flămând să-ţi mistui
puterea, sângele, mândria, primăvara, totul.
În zori când ziua va aprinde noaptea,
Când scrumul nopţii o să piara dus
de-un vânt spre-apus,
în zori de zi aş vrea să fim şi noi
cenuşa,
noi şi - pământul.



Nós e a Terra

Tantas estrelas caem esta noite.
O demónio da noite parece segurar entre suas mãos a Terra
e soprar sobre ela chispas como se fosse isca,
violentamente, para incendiá-la.
Esta noite, quando tantas
estrelas caem, teu jovem corpo
de feiticeira arde entre os meus braços
como entre chamas de fogueira.

Louco,
estendo meus braços como labaredas,
para derreter a neve de teus ombros desnudados,
e sorver-te, consumir-te, faminto,
a força, o sangue, o orgulho, a primavera, tudo.

Na alvorada, quando o dia iluminar a noite,
quando a cinza da noite perecer levada
pelo vento ao poente,
na alvorada queria sermos nós também
só cinzas, nós e - a Terra.


(tradus de Micaela Ghitescu, editia "Mirabila samanta", ed. Minerva, Bucuresti, 1981)

17 fevereiro 2009

Chavez de casa


Ele encontrou as chaves de casa e não vai dá-las a ninguém.
Para poder dar a vida pela pátria enquanto viver, diz ele.


Eu telefonei ao Presidente da minha empresa e perguntei-lhe se ele não se importava que eu ficasse à dirigir a mesma até ao fim da vida, eu dava tudo pela empresa, vitalício mas abnegado e pela causa justa.

Ele não achou graça e acho que me vai mandar para a Venezuela à procura das Chavez, já que as Chaves de casa não fazem milagres destes.

Mandem postais.

16 fevereiro 2009

Aves nocturnas


(edward hopper - nighthawks 1942)

Sobre este trabalho Hopper disse:

`I didn't see it as particularly lonely... Unconsciously, probably, I was painting the loneliness of a large city.'

Sobre a vagabundagem nocturna falou muita gente, escreveu, disse, afirmou, reiterou, compôs, estudou, dissertou, morreu, em gloriosas viagens alcoólicas, entre nuvens de fumo (do tal que prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam).

Mas é às gentes viajantes da noite, que se escondem da luz e encontram outros seres errantes, que esses tratados se atiram e onde os que com eles se confundem repousam.


Ninguém conhece a vampiresca solidariedade da noite.

Solaris



Kelvin is unaware of the nature of the problem aboard the space station but agrees to help after Gibarian, his close friend and the commander of the mission, personally requests his assistance.

Soon after his arrival Kelvin is himself introduced to the mysteries of Solaris. Awakening from his first night's sleep aboard Prometheus, he finds himself in bed with an apparent physical manifestation of his dead wife. Kelvin then must battle his own feelings of regret and remorse and discover why Rheya (or what appears to be Rheya) has come back.

. Based on a novel by Stanislaw Lem, Solaris
. Winner of the Grand Jury Prize at the 1972 Cannes Film Festival, an Andrey Tarkovski's film, Solaris was remade by Steven Soderbergh in 2002. ~ Matthew Tobey, All Movie Guide


14 fevereiro 2009

Constant cacophony of cheers and whistles


Celebrations begin
Sam is up on the foredeck now with the boat under the control of her technical team, the Roxy boys, with two appropriately pink flares lighting up the whole area as she starts the celebrations, dancing on the decks, looking up to the skies and loving the relief and the sheer joy that she made it, and her adventure has been so all consuming, and so fulfilling.
February 14. 2009 at 01:44


Sam's time
So Sam's time is 95 days 4 hours 39 mins 01 sec WITH her redress, her shore crew are on board and the scrutineer will go on board to check Roxy's engine seals. Sam looks delirious, and no doubt exhausted, elated and will be sad her great adventure is over. She has sailed impeccably and shared her race widely and freely, without any pretension. 10.87 knots average on theoretical distance of 24840 miles.
February 14. 2009 at 01:35


Sam finishes

And Sam Davies finishes the Vendee Globe, third across the finish line early on this Valentine's mornng, and incredible achievement, finishing at 00hrs 41 mins and 01 seconds GMT. Her Roxy boys shore team are on board immediatelyt hugs all round..
February 14. 2009 at 01:26


Sam Davies ready to finish
Still a hail of flashguns lighting up the night sky, picking out her huge megawatt smile and her famous boat Sam gets ready to finish her extraordinary Vendee Globe Her boat looks impeccable, a little rust around the solar panels on the deck, and she keeps trimming and working Roxy all the time as the puffy brreze brings her back upright, slowing from time to time. There is a constant cacophony of cheers and whistles. 500 m to line

11 fevereiro 2009

Sweet little engine


Fecho quatro portas, pressinto seres misteriosos e malévolos do lado de lá.

O aquecimento está sempre ligado neste espaço miserere, embora um ser muito pequeno partilhe o co2 comigo, parece-me uma mosca, mas podes ser tu enviada do outro pequeno espaço onde a porta permanece aberta, com outro aquecedor ligado.
Não sei, mas enquanto decido para que lado se imaginam as coisas, abro o frigorífico, tão gelado, conservando a salada fresca. Depois viro-me para o armário e as luminosas latas já conhecem o caminho.

Gosto de sair depois, pôr as luvas e os detestáveis óculos escuros redondos, mas fica sempre o pequeno mistério das 10 horas que ignoro entre a abertura do armário das latas e a saída da porta de casa, para a luz.

Quereria relatá-las, essas tantas horas, em número, mas não sentidas, mas que pode aqui fazer sentido dizer? Um avião que levanta voo, bate as asas, encurtadas durante o sonho porque, bem, porque é um sonho, suponho, e depois eu mergulho de 300m de altura para salvar os seres que ali se diluem, lívidos e, suponho, mortos?

Não, estas coisas não se podem dizer. Good night & good luck for the next 10 h.

10 fevereiro 2009

Rappelle-toi, lorsque les choses ne vont pas comme nous le voulons, il ne faut pas s'en prendre aux autres mais d'abord à soi-même !


Este pedaço de vida é como um romance (mau,mau), uma fábula provisória como um intervalo a aguardar histórias de homens e mulheres a sério, que deixem a infantilidade e sejam algo que se admire.

Coelhos em confronto com notas, ricos medidos a palmo de euro, proibidos despedimentos a empresas com lucros, cabalas negras, sondagens negras, jornalismo pedinte e obediente, alegorias de vacas futebolísticas.


É uma guerra de miseráveis.

06 fevereiro 2009

Algo muito interessante pode acontecer na próxima 6ª


Este quadro parado, até este quadro parado me atira de encontro aos sonhos diários.

Não, não é apropriado numa simples 6ª feira, onde tudo pode ser simples, estar agora a mudar o mundo.

05 fevereiro 2009

Variações sobre uma tempestade perfeita

(óleo de Eric Fischl)

Ouviu-se falar, mas não se sabe:


O oceano libertou-a
A fé conservou-a
Queria ser medusa, iludida
A tempestade levou-a

Formou a nuvem
Transformou-se em gotas de espuma
E quando quis a liberdade
Encontrou a esfera de ferro do mar

04 fevereiro 2009

O encanto, para onde foi o encanto?



M. lançou-se de novo pela Av Brasília, com o seu Berlingo branco com as listas da Almond Inc, a caminho do terminal de comboios, para as entregas habituais. Escolhia sempre o caminho interior junto ao Tejo, e carregava no acelerador, para parar como sempre 10 m junto ao Padrão dos Descobrimentos, tomar um café, inspirar o ar húmido do rio, olhar a outra margem, os aviões sobre a Ponte, espreitar o movimento de alguma vela.

Como era bom parar uns momentos na rotina diária apressada, gozar o tempo, olhar tudo e sorrir. O prazer que se assemelhava aos raros momentos em que passava em casa a meio do dia e o silêncio da casa só era cortado pelo tic tac leve do relógio de parede da cozinha.

Mas nesse dia, ao regressar ao armazem, reparou na concentração de colegas, na agitação dos corpos e nas expressões preocupadas: a Almond Inc. declarava falência e ele estava na rua.


Duas semanas passaram e M. apanhou o autocarro para Belém, ia pelo menos poder estar mais tempo no seu sítio favorito.

Apeou-se, olhou em volta e sem perceber porquê reparou nos musicos pobres que montavam o cenário para o espectáculo de rua, reparou nos arrumadores de olhar triste, nos caixotes de lixo abandonados, nas caixas de cartão e papéis que voavam.

Reparou nos velhos que se arrastavam junto ao paredão do rio, nos jovens que circulavam sem nexo.

Não chegou a estar ali mais de 10m, voltou cabisbaixo.

01 fevereiro 2009

Dias para celebrar vitórias


Enquanto o inverno castiga, os barcos ficam em terra e as velas ensacadas, sonhemos com outras viagens, por anos infindos e por ilhas e lugares desconhecidos.


Vendee Globe hoje 1 de Fevereiro e quando eram 15.45h, Michel Desjoyeaux venceu após 84 dias no mar, non stop.
Um dia para celebrar.