07 janeiro 2006

Fantasia dos Infelizes


Remou agora mais depressa, guiado pela luz amarela que guiava os músculos dos braços, deixando para trás lágrimas de suor e desespero; uma e outra, as pás dos remos mergulhavam descompasssadas na água negra. Os pés rasgados encontravam os pregos do fundo do bote e o sangue misturava-se com a água salgada e os restos de roupa de A. caída no fundo.

Mais uma remada, um salto das pás numa rocha e o impacto na areia levado pela onda. G. deixou-se cair na areia suja, por momentos, e desatou a correr até ao farol onde a luz amarela parecia chamá-lo. Entrou.


Subiu a escada de ferro, e sentiu as vozes que se tornavam nitidas enquanto o compasso do seu coração enlouquecia. Aproximou-se de uma porta fechada com maçaneta redonda, que lhe pareceu familiar, parou antes de entrar.

A madeira da porta , o chão escuro, um ruido que lhe pareceu de uma chaleira de chá, mais vozes que falavam baixo e com uma lentidão que parecia dignidade sentida. Falavam como se num lamento contínuo mas seguro esperassem que alguem abrisse aquela porta, os segundos pareciam não passar, a porta entreabriu-se, o odor fétido de água suja invadiu o espaço. Entrou

A sensação de dejavu invadiu-o de forma assustadora, demorou mais alguns segundos a perceber que eram os seus três amigos desaparecidos há sete anos no mar, quando velejavam juntos.

Recordou-se das notícias e da especulação acerca de si e do seu papel na ajuda que lhes teria dado quando a tempestade quase destruiu o veleiro e os lançou borda fora. G. tinha-se salvo agarrado ao leme.

Aproximaram-se.
Vem G. , estás salvo, agora vives aqui. Para sempre.





10 comentários:

a-palavra disse...

Bem... deve ser da chuva ... hoje é água por todos os lados! E piratas!
És sempre muito misterioso!!!

Palavras em Linha disse...

a-palavra... sou eu... distraída!

POLYPHEMUS disse...

Ainda bem, de gente sem mistério estamos um bocado fartos ...:)

jp disse...

Carlitos,my love, poderas tu ajudar-me a libertar-me dos piratas disfarçados de janelas de casinos que vos invadem de cada vez que vão lá à tasca?
Please?
Juro que não te pico e tudo :-)

Essa da gente sem mistério...ehehehe

POLYPHEMUS disse...

Claro que posso ajudar, dear.

Essa da gente sem mistério ... ehehehe ... ri de quê?

jp disse...

Conheçe aquela velha maxima, do rir para não chorar? Pois é mais ou menos isso.

Quanto à ajuda?

POLYPHEMUS disse...

http://www.download.com/3000-2092-10039884.html

jp disse...

O meu amigo refere-se a isto? ZoneAlarm 6.1.737?

jp disse...

E agradecida pela amabilidade :-)

katraponga disse...

Muito bom. Recordou-me momentos tão diversos como a primeira leitura (ainda em BD) do Conde de Montecristo, quando era criança. E do "Nevoeiro", do Carpenter, quando era adolescente. Gostei mesmo.